03 Dezembro 2011

3 cafés.

1.
Senta-se. 
Olha em volta, para as batas, para as fardas. Branco. Azul. Amarelo. Riscas. Verde. Procura um leitor de mp3 nos bolsos do casaco, a sua farda de civil. Ainda não é portadora de nenhuma cor ou título oficial de superioridade e, por agora, agradece. Não é degrau na hierarquia, aprecia, por enquanto, a simplicidade dos que estudam. Rasga o pacote de açúcar. Gira, distraidamente, a colher na pequena chávena, enquanto procura alguma música que descreva exactamente aquilo que sente. É isso que mais precisa neste momento: uma música que descreva exactamente como se sente. Gira a colher outra vez, mais açúcar. Arrefece o café. Acorda. Despacha-se para picar o ponto e esperar que lhe dêem um desconto. E o benefício da dúvida.

2.
Queres café? Sim. 
Porquê dizer que não? Queima mais um bocadinho o estômago só para não te sentires tão sozinha, que o café aquece a alma e faz fazer algo mais que olhar para o ar, tentar encaixar numa conversa ou simplesmente ficar perdida num pensamento. Muito mais difícil que aprender é integrar e entrar num mundo que não é teu. Nem todos te aquecem a alma, nem todos te dão calma. Hoje é fantasma. 

3.
No regresso a casa. 
Quando o mau humor é tão denso como o nevoeiro gélido das manhãs. Quando percebe maravilhosamente o seu mau humor mas afirma que não sabe o que se passa. Não quer explicar o que se passa. É a alma a sentir-se abandonada. Vale a amizade que chega, por meia hora, é o abraço necessário, é mais uma dose de cafeína para se sentir um pouco melhor. O dia ainda não acabou, o dia nem custou (assim tanto). O dia precisa de silêncio, hibernação. O dia precisa de ti. Este dia. Todos os dias. O dia precisa de um último café. O teu.

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