02 Dezembro 2009

esquece-te do guarda-chuva. tal como o despertador é, de facto, um objecto útil: sejamos sinceros, ninguém gosta de andar à chuva não tendo a possibilidade de tomar um banho quente logo a seguir, ninguém gosta de adormecer quando a pontualidade é socialmente imposta e a assiduidade constantemente avaliada. no entanto, o guarda chuva é um incómodo: um peso a mais, um empecilho para a mobilidade, um mestre na arte de deixar pernas encharcadas e salpicar ou até mesmo magoar terceiros. é um amigo que gostamos de ter por perto em complicados momentos de pluviosidade mas que não sabemos se vale a pena aturá-lo por causa disso. não são necessárias grandes estatísticas ou estudos para comprovar a teoria: quem nunca se esqueceu de um guarda chuva? quem nunca encontrou um, perdido, e decidiu adoptá-lo? realmente não somos muito fieis, traidores de objectos inanimados. talvez seja altura de te esqueceres do guarda chuva, quem anda à chuva molha-se, não tem que ser necessariamente mau: tem mais piada cantar i'm singing in the rain do que you can stay under my umbrella... a vida faz-se de sensações, não de objectos utilitários mas desprovidos de significado.

21 Novembro 2009

o adormecimento involuntário e não por consequência do pensamento esgotado, um quarto às escuras, com os amigos tão perto mas com uma solidão indescritível, a janela aberta em dias de chuva, a luz acesa no pico da tarde, as mesmas músicas a tocar em loop durante todo o dia, o mapa do caminho e a dificuldade em perceber o porquê de o seguir.

a vida está cheia. (destas) pequenas coisas.

19 Novembro 2009

Fluoxetina



When somethings gone, I wanna fight to get it back again
The Fixer - Pearl Jam
eu adoro escrever.
(bem ou mal)

17 Novembro 2009

Não me interpretes mal, não te incomodes com as minhas ausências: é um facto: incomodam-me pequenas conversas vazias e, muitas vezes, o ser social socialmente imposto está a dormir. Sim,há dias em que me apetece mandar tudo à merda ou talvez para sítios mais ordinários ou sujos. Principalmente o conjunto de obrigações e socializações, ridículas, a que somos sujeitos. Há dias em que sou só eu, que gosto da minha música, das rajadas de vento que me despenteiam o cabelo, do café à noite (ainda que no dia a seguir tenha de acordar cedo), das conversas ou da partilha de um qualquer pensamento com aqueles que, não estando comigo sempre, me transformaram e tiveram a coragem de me acompanhar, sabendo não ser fácil aturar as convicções de quem não sabe o que quer mas tem a certeza do que não quer. Gosto de voltar a casa, com as mesmas rajadas de vento, com a chuva nos óculos, com frustrações, vazios ou alegrias. Gosto, acima e apesar de tudo, para além das preocupações, de continuar a ter noções, fugir de alienações: não serei aquilo que desprezo.

16 Novembro 2009

vai da gargalhada à amargura a reacção à expressão especial, soa a um contexto escondedor de uma situação má, não propriamente uma particularização de algo bom, transcendente, marcante. talvez em cada letra da palavra se recorde o facto de existir algo, alguém, marcante, a recordar mas nunca tocar, que as especialidades parecem tão caras, tão intocáveis, por querer ou talvez por não poder. especial vai, para sempre, carregar a sensação estranha do café a queimar a língua: é o seu sabor e o arrepio por saber a dor que virá depois.

23 Outubro 2009

E podes perfeitamente por um sorriso na cara e dizeres que, para ti, os blogs não são uma forma de desabafo. Podes afirmar que nada do que terceiros dizem interessa. Podes fazer tudo isto, muito mais, para te convenceres que está tudo bem. É apenas mais uma maneira de (sobre)viver. Preferias entrar num metro, comboio, autocarro e ir à procura do conselho dos que te conhecem. Preferias negar que a distância é muito mais que física, falar ou ficar em silêncio, estar apenas na zona de conforto. Podias parar de fugir da realidade. Sabes que tens que mudar, sabes o que deves fazer. Triste não seria não conseguir: triste é nem sequer tentares, adiares. Sempre. Respeita-te. Aceita-te.