Convenci-me de imensas coisas, entre as quais um talento inexistente para a expressão criativa e artística. Felizmente a dura realidade mostra-me que sou apenas mais um. De tanto fugir à mediocridade caí mesmo no meio dela. Irónico.
24 Janeiro 2010
06 Janeiro 2010
janeiro.
janeiro é a ressaca das resoluções de ano novo. os pensamentos condensam-se no vidro frio, criando uma atmosfera demasiado densa para quem tem que respirar conhecimento. a janela está sempre fechada: a melancolia saiu às ruas e, ao juntar-se à que em nós existe, poderia ser tóxica. mas, de maneira inexplicável, de algum lado, acaba por envenenar-nos lentamente, juntamente com a frieza, congelador para a alma.
janeiro é o acordar com a chuva a bater na janela. a vontade de não sair na cama, agora não existem pretextos, não existem pessoas. as folhas não caem das árvores: são as rasgadas dos cadernos e os desenhos são caracteres cientificamente significantes ou conceitos interessantes derivados dos vencedores de preconceitos que escolheram viver da ciência. é tudo muito belo. é, de facto. não é suficiente. quanto mais aprendemos mais nos prendemos, em casa, em círculos académicos. sem poder levar com a violência da chuva para acordar, perceber o que há no mundo real.
janeiro é, talvez, o único mês em que o mundo pode chorar. mas as verdadeiras inundações e catástrofes ocorrem nas nossas mentes.
janeiro é o acordar com a chuva a bater na janela. a vontade de não sair na cama, agora não existem pretextos, não existem pessoas. as folhas não caem das árvores: são as rasgadas dos cadernos e os desenhos são caracteres cientificamente significantes ou conceitos interessantes derivados dos vencedores de preconceitos que escolheram viver da ciência. é tudo muito belo. é, de facto. não é suficiente. quanto mais aprendemos mais nos prendemos, em casa, em círculos académicos. sem poder levar com a violência da chuva para acordar, perceber o que há no mundo real.
janeiro é, talvez, o único mês em que o mundo pode chorar. mas as verdadeiras inundações e catástrofes ocorrem nas nossas mentes.
02 Janeiro 2010
sem saber porquê, desta vez, fez uma lista com todas as resoluções e rasgou-a, para os pequenos pedaços de papel rasgarem o horizonte. agradava-lhe aquele voo de confettis feitos de objectivos e, pelo meio, alguns desejos (talvez) irreais. não precisava de lembretes , não precisava de uma data para se voltar a torturar com o que devia mudar.
16 Dezembro 2009
Os Estudantes de Saúde #2
Estas pessoas não têm qualquer tipo de credibilidade quando, daqui a uns anos, vos estiverem a aconselhar estilos de vida saudáveis. Não por não terem formação mas sim porque para adquirirem autoridade para vos dar esses conselhos tiveram que, certamente e entre outras coisas, passar por padrões de sono irregulares, comer porcarias e perder a paciência várias vezes.
notas autocolantes
atravessa-se no meu campo de visão um autocarro. não ficaria lá por mais que uma fracção de segundo se não tivesse papéis colados no vidro. notas autocolantes. notas adesivas. post-its. quem se teria lembrado de tão genial ideia, pensava, enquanto queimava o tempo a imaginar um sem fim de possíveis justificações ou, melhor ainda, histórias que ninguém me tinha contado. atravessou-se no meu campo de visão, entretanto, outro autocarro, desta vez olhei para os números e levantei-me, eram aquelas quatro rodas que me iam levar a casa. juntamente com os post-its, parece que ia descobrir o mistério. e coleccionar uma desilusão: a mensagem era apenas um "não se esqueça de validar o seu título de transporte". como se já não fosse um hábito, um gesto meramente mecânico e quase involuntário.
atravessa-se no meu campo de visão outro autocarro. os números brilhantes indicam-me a sua utilidade, o frio indicou-me que não seria agradável percorrer nem sequer uma curta distância a pé. sento-me, outra vez os papelinhos amarelos. desta vez revoltaram-me: porque não estava ali uma mensagem para a senhora que fala sozinha? porque não está uma frase inteligente? porque não uma declaração de amor? porque não uma chamada de atenção para algo interessante?
atravessa-se no meu campo de visão um sem fim de autocarros. desta vez não quero entrar, o frio da rua faz me lembrar que, apesar de congelada, estou viva. naqueles autocarros não iria encontrar ninguém, apenas o vazio dos locais habitualmente tão cheios e que nada dizem a ninguém. devia ter deixado uma mensagem colada em algum vidro, de algum transporte, público. poderia ter feito alguém pensar. poderia ter lançado uma moda, uma tendência. poderia ter desenhado um sorriso. talvez, um dia, leve comigo as notas, adesivas. espero que nesse dia me esqueça que não tenho nada de relevante para dizer.
atravessa-se no meu campo de visão outro autocarro. os números brilhantes indicam-me a sua utilidade, o frio indicou-me que não seria agradável percorrer nem sequer uma curta distância a pé. sento-me, outra vez os papelinhos amarelos. desta vez revoltaram-me: porque não estava ali uma mensagem para a senhora que fala sozinha? porque não está uma frase inteligente? porque não uma declaração de amor? porque não uma chamada de atenção para algo interessante?
atravessa-se no meu campo de visão um sem fim de autocarros. desta vez não quero entrar, o frio da rua faz me lembrar que, apesar de congelada, estou viva. naqueles autocarros não iria encontrar ninguém, apenas o vazio dos locais habitualmente tão cheios e que nada dizem a ninguém. devia ter deixado uma mensagem colada em algum vidro, de algum transporte, público. poderia ter feito alguém pensar. poderia ter lançado uma moda, uma tendência. poderia ter desenhado um sorriso. talvez, um dia, leve comigo as notas, adesivas. espero que nesse dia me esqueça que não tenho nada de relevante para dizer.
02 Dezembro 2009
esquece-te do guarda-chuva. tal como o despertador é, de facto, um objecto útil: sejamos sinceros, ninguém gosta de andar à chuva não tendo a possibilidade de tomar um banho quente logo a seguir, ninguém gosta de adormecer quando a pontualidade é socialmente imposta e a assiduidade constantemente avaliada. no entanto, o guarda chuva é um incómodo: um peso a mais, um empecilho para a mobilidade, um mestre na arte de deixar pernas encharcadas e salpicar ou até mesmo magoar terceiros. é um amigo que gostamos de ter por perto em complicados momentos de pluviosidade mas que não sabemos se vale a pena aturá-lo por causa disso. não são necessárias grandes estatísticas ou estudos para comprovar a teoria: quem nunca se esqueceu de um guarda chuva? quem nunca encontrou um, perdido, e decidiu adoptá-lo? realmente não somos muito fieis, traidores de objectos inanimados. talvez seja altura de te esqueceres do guarda chuva, quem anda à chuva molha-se, não tem que ser necessariamente mau: tem mais piada cantar i'm singing in the rain do que you can stay under my umbrella... a vida faz-se de sensações, não de objectos utilitários mas desprovidos de significado.
21 Novembro 2009
o adormecimento involuntário e não por consequência do pensamento esgotado, um quarto às escuras, com os amigos tão perto mas com uma solidão indescritível, a janela aberta em dias de chuva, a luz acesa no pico da tarde, as mesmas músicas a tocar em loop durante todo o dia, o mapa do caminho e a dificuldade em perceber o porquê de o seguir.
a vida está cheia. (destas) pequenas coisas.
a vida está cheia. (destas) pequenas coisas.
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